De acordo com o júri, o livro constrói-se em torno da relação entre “ferida e memória”, explorando uma poética marcada pela fluidez e pela recusa de uma estrutura temporal linear, em que “passado, presente e futuro coexistem num mesmo plano enunciativo”.
“Ferida e memória são o ponto em que o corpo se abre ao fluxo — sangue, lágrimas, água — tornando possível a metamorfose. Este fluir do líquido reflecte-se também na estrutura temporal, na medida em que nega a sucessão linear entre passado, presente e futuro, os quais coexistem num mesmo plano enunciativo”, descreve Vincenzo Paglione, jurado do prémio.
Segundo o crítico literário galego Xosé M. Eyré, “assim que o livro é aberto, uma cascata de musicalidade alquímico-verbal-poética surge diante dos olhos do leitor, cada som caindo como água corrente e acompanhando-o durante toda a leitura”.
Para além da vencedora, a lista final de 2026 inclui os poetas Francisco Guita Jr. (Moçambique), Rita Tormenta, Andrea Fernandes, Maurício Rosa, José Gardeazabal e Rui Sobral.
O júri da edição de 2026 foi constituído ainda pelo moçambicano Matteo Angius - Bibliotecário e Investigador - Camões - Moçambique;
Xosé M. Eyré - Crítico Literário Independente - Galiza; Jacinto Guimarães - GAC - Portugal; Andrea Paes -
Poeta e Ourives - Portugal; Vincenzo Paglione - Tradutor e Ensaísta - Venezuela.
A cerimónia de entrega do prémio realiza-se no dia 23 de maio, na Capela de São Gonçalo, em Válega.
O Prémio Literário Glória de Sant’Anna, instituído em 2012 pelo Grupo de Acção Cultural de Válega (GAC), distingue anualmente o melhor livro de poesia em língua portuguesa, abrangendo países e regiões lusófonas.
Maria Azenha, nasceu em Coimbra em 29 de Dezembro de 1945. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra. Exerceu funções docentes nas Universidades de Coimbra, Évora e Lisboa e em escolas secundárias.
Publicou, entre outros: Folha Móvel (Átrio, 1987); Pátria d'Água (Átrio 1991); A Lição do Vento (Átrio, 1992); O Último Rei de Portugal (Fundação Lusíada, 1992); Concerto Para o Fim do Futuro (sob o pseudónimo de Alexandra Kräft, Ed.Hugin,1999); O Coração dos Relógios (Pergaminho, 1999); P.I.M. (Poemas de Intervenção e Manicómio) (Universitária Editora, 2000); Poemas ilustrativos de pintura de Valdemar Ribeiro (Symbolos, 2001); Nossa Senhora de Burka (Alma Azul, 2002), entre várias outras obras.



